Sobre o dinamismo da vida,
ou filosofando com o irracional.
Desenterro minhas memórias para escrever finalmente algo de nem tão abstrato e útil. Enterro aqui o estilo-livre.
É interessante como a vida passa diante de nossas consciências, quase sempre no piloto automático. Não disposamos a atenção necessária aos sutis detalhes corriqueiros, cotidianos que são, em suma, indispensáveis para nosso bom viver. Quando finalmente diminuímos a velocidade – se é que diminuímos – é que ficamos cientes da nova realidade. Para isso, quase sempre é necessário um fator externo, algo que aconteça que nos faça rever alguns conceitos importantes que levávamos consigo até então.
Vejo que por muito tempo deixei coisas esparsas, dispersas, soltas. Com razão, mas sempre me impressiona. Pode-se dizer que, ao menos agora, é um dos resultados da luta vencida por mim, comigo mesmo. Ao mesmo tempo que me impressiona, me preocupa. Como vou recolher isso tudo? Outrora, não saberia por onde começar.
É indo fundo que se começa, e é por caminhos tortos que se endireita. Não desejo fórmulas, não desejo padrões. Não.
Não gosto, mas me seguro. Por uma série de motivos que não vem ao caso. Aprendi a ser minha própria camisa de força, afinal, auto-expressão custa caro. Só queria deixar registrado o baque surdo de uma pluma no ar.